Ferramentas para levar na bagagem ao voltar para casa por Aimee Falchuk
Ferramentas para levar na bagagem ao voltar para casa
Por Aimee Falchuk
Digo aos meus clientes que voltar a situações que podem servir de gatilho é onde a teoria se encontra com a prática. É o momento de colocar em ação tudo o que aprenderam e processaram sobre si mesmos e seus padrões. Lembro a eles que não é o momento de buscar a perfeição nessa aplicação, mas de ter confiança, com graça e humildade.
Gerenciando Expectativas Uma coisa que aprendi pessoalmente é o quão importante é gerenciar minhas próprias expectativas, tanto em relação à minha capacidade de agir de forma diferente quanto à forma como os outros deveriam se comportar. Essa é uma armadilha que raramente funciona da maneira exata que imaginamos. Estamos sujeitos a regredir e recair em dinâmicas e padrões antigos. Ter essa consciência antes de entrar na situação parece ser fundamental – daí a importância da graça e da humildade.
Em vez de criar uma expectativa, que tal definir e se reconectar com uma intenção para si mesmo que pareça viável e que traga uma boa sensação ao ser alcançada? Uma intenção poderia ser: “Vou respirar ao longo dessa experiência e voltar à minha respiração como fonte de apoio quando precisar” ou “Tenho a intenção de estar o mais presente possível com o que quer que surja”.
Essas intenções plantam uma semente e, muitas vezes, é a nossa sabedoria se manifestando para nos mostrar onde está o nosso trabalho. Isso, por si só, já é uma vitória.
Tenha um plano Conheça seus recursos internos e externos e use-os quando as coisas ficarem difíceis. Faça uma caminhada, movimente seu corpo, ligue para um amigo, participe de um grupo de apoio, conecte-se com o que quer que traga você de volta ao momento presente. A presença nos dá a melhor chance de realizar uma ação virtuosa em relação a nós mesmos ou ao outro. Essa ação virtuosa não apenas pode interromper padrões habituais negativos, mas também criar novos padrões muito mais saudáveis.
P.S.: Estabelecer limites pode ser uma ação virtuosa. Permita-se sentir Dê a si mesmo o espaço para sentir o que quer que surja da experiência. Seja a alegria de memórias afetuosas, o luto pelo que foi perdido ou pelo que nunca existiu, ou mesmo a frustração com pessoas, lugares ou coisas. Encontre maneiras de sentir isso para que a energia possa se mover e criar mais espaço para o novo.
Fica aqui um convite: o que poderia mudar se você se permitisse sentir a ternura da tristeza em relação ao que é — as limitações da experiência humana e de seus sujeitos — em vez de focar e se fixar nas ações de uma pessoa em particular?
Assuma a responsabilidade pela sua parte É fácil focar nas ações dos outros, mas pode ser muito mais proveitoso voltar a atenção para as suas próprias reações e ações. A maioria das dinâmicas é uma cocriação, mesmo que uma pessoa tenha legitimamente mais “culpa” do que a outra. Pergunte a si mesmo: “de que forma estou contribuindo para essa dinâmica?”. Autorresponsabilidade NÃO significa assumir a responsabilidade por algo que não é seu. Significa que você está disposto a reconhecer e assumir a sua parte.
A metodologia Pathwork fala sobre necessidades reais e falsas, sendo as primeiras relacionadas à mutualidade e as segundas mais ligadas às necessidades infantis não atendidas que ainda buscamos ou exigimos dos outros. Ser capaz de distinguir entre as duas e cuidar dessas necessidades infantis por conta própria é parte dessa autorresponsabilidade.
Mantenha a curiosidade A curiosidade é uma qualidade do Eu Maior. É um aspecto de um coração e uma mente abertos. A curiosidade cultiva o nosso eu observador — aquele que consegue notar as situações com objetividade. Permita que a curiosidade permeie a sua experiência. Observe ações e reações, repare em coisas que talvez você nunca tenha se permitido ver antes, seja curioso sobre as coisas e as pessoas em vez de presumir que já sabe tudo. Esteja atento aos momentos em que você precisa afrouxar as garras da arrogância da sua mente.
Por último, lembre-se de que somos corpo, emoção, mente, vontade e espírito. Cuidar de cada um desses aspectos do nosso ser é fundamental. Saber como eles interagem de forma funcional e disfuncional também é importante. Saiba que podemos viver em diferentes planos de consciência ao mesmo tempo. Uma parte de nós pode estar em uma vibração mais elevada, conseguindo ver claramente o que está em jogo. E, no entanto, outra parte de nós pode se sentir como se estivesse na selva, pronta e esperando com empolgação para a briga. Faça uma pausa e seja gentil com todas essas partes. Volte à sua intenção, confie na sua bondade essencial e na dos outros, e faça a próxima coisa certa.
